• Orlando Coutinho

Homem com H grande



Há Homens que só faz sentido designa-los com H maiúsculo. Um deles é sem sombra de dúvida o Rui Barreira. Concordei sempre com ele? Não. Temos sempre a mesma opinião sobre assuntos concretos? Também não. Mas as amizades constroem-se assim. Com frontalidade para dizer não quando achamos que é não e com total entrega e solidariedade quando não há dúvidas sobre o caráter, sobre honra e sobre a atitude da pessoa. E quão importante é esta última, para quem como eu se embevece no espírito personalista invocado por Mounier.

O agora ex-Diretor do Centro Regional da Segurança Social de Braga foi, nos últimos meses, alvo de uma perseguição política sem par. Fruto da sua genuína forma de pensar que é muitas vezes corrosiva, por que não raras vezes indesmentível, para quem está do outro lado da barricada. Não se coíbe de dizer o que pensa sobre a “polis” num exercício pleno de liberdade de expressão que não é muitas vezes bem aceite pelos democratas que andam de cravo na lapela quando chega abril.

Uma semana após o saneamento político de que foi alvo nas funções que ocupava na Segurança Social, veio aduzir os argumentos, que o próprio designou de evidências, mas que são mais do que isso: são factos e incontestáveis. Sustentando um despacho de exoneração num processo disciplinar que redunda em falta de provas, viu-se - isso sim – provado o que sempre tive oportunidade de lhe dizer: “quando pegarem contigo – porque nada encontrarão em teu desfavor – será sempre por razões políticas”. E assim foi.

A bem sustentada apologética com que nos brindou hoje resulta na legitima expectativa que o Estado – enquanto ente de bem – honraria o contrato que com ele tinha e que o próprio acedeu por mérito. Mas do outro lado havia a pressão partidária reforçada com amigos de ocasião e habituados à contestação como modo de vida.

Se é verdade que o Rui Barreira afirmou que só se manteria com aquela responsabilidade na Segurança Social, enquanto o cargo fosse de nomeação política, com quem o tinha nomeado. Também é verdade que o Estado mudou a lei da administração pública. Criou um Estatuto próprio para acesso a pessoal dirigente a cargos como o que ocupava. E para aferir da validade dos novos administradores criou a CRESAP (comissão de recrutamento e seleção para a administração pública). Barreira foi o melhor em todos os testes mesmo aos olhos do socialista que lidera a CRESAP. Foi então natural que o vinculo político passasse a vinculo público. Mas como sempre comentei com ele a CRESAP nunca me convenceu.

A CRESAP é um logro que só serve para separar o trigo do joio. Claro que o seu trabalho é sério na hora de avaliar o mérito e a competência. Mas esbarra no problema que faz esta análise para cargos que a tradição da ciência administrativa colocava no campo da confiança política. E se quanto ao mérito e competência não seria preciso nenhuma CRESAP para atestar que Barreira é um dos melhores do país, também já sabemos que o clube dele é o Porto, que o partido é o CDS e que ninguém lhe pode apontar defeitos ao Xico Andebol sem ter com ele uma “boa discussão”.

A CRESAP é uma antinomia política que o nosso governo erradamente criou gerando legitimas expetativas em dezenas de dirigentes políticos que passaram, por mérito próprio, a administradores públicos e que agora, o governo socialista e da geringonça, hipocritamente, não quer acabar, mas não se importa, em troca, de dizimar na praça pública pessoas, como o Barreira, nas áreas da educação, saúde, emprego etc. por esse país fora.

Voltemos ao Homem, que hoje, numa sala repleta de amigos e familiares, fez um discurso com emoção. Falou de tudo, como sempre. Sem nada a temer e a esconder. E com a resistência de quem nos últimos meses foi sujeito a tudo. Só uma família forte e unida é capaz de absorver, sem pestanejar, os ataques de que foi alvo. Só amigos solidários é que o animaram a permanecer incólume. A todos honrou com a veneração humilde de quem não se esquece dos seus. E que mais se pode querer de um Homem com esta atitude?!

Bem Vistas as Coisas, as imputações que lhe alocavam foram as que com ele acabaram por fazer. Mas a firmeza de caráter distingue quem sabe resistir. Mas mais que resistente Barreira é um combatente. E que bom será vê-lo aí de novo para a luta!


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Criado por Orlando Coutinho @ 2015.  

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