• Orlando Coutinho

Pelas mesmas razões de sempre


Este artigo, de minha autoria, foi originalmente publicado no Jornal de Guimarães a 25 de Janeiro de 2022.

Nunca foi tão fácil a escolha para quem vota dentro dos eleitores não socialistas. O espartilhamento do espaço político do centro-direita reservou, a quem aí se situa, uma clarificação reconfortante. Há um apelo do voto ao centro, pelo PSD; um democrata-cristão, pelo CDS, um liberal, pela IL e um voto iliberal miguelista pelo Chega. No nosso círculo eleitoral, o candidato democrata-cristão – onde me situo – é José Paulo Areia de Carvalho. De Guimarães, onde viveu até aos 12 anos de idade, foi – fruto da profissão do pai, um respeitado Juiz, para Esposende, onde se fez causídico e também brotou para a vida e participação política enquanto vereador nas listas do CDS. Tem, por isso, experiência autárquica e de deputado, desde quando Paulo Portas o indicou para o parlamento, sendo agora chamado para a prova de vida junto de Francisco Rodrigues dos Santos. Mas a prova de vida é também da distrital de Braga do CDS liderada por Nuno Melo. Ao anunciar a candidatura à presidência do Partido, Melo não pode apresentar-se ao Congresso sem trabalho de casa. Seria difícil convencer um congressista médio que conseguiria no país o que não conseguiu no distrito onde o CDS sempre elegeu deputados e onde escolheu toda a lista que – além do mais e pela primeira vez em muitos anos – é totalmente do distrito de Braga, pretensão das estruturas locais. Porquê, então, votar no CDS, um partido que todas as sondagens dão “nas lonas”? Francisco Rodrigues dos Santos, que apareceu para o país político nos debates – já que a comunicação social privada foi incapaz de lhe dar voz durante ano e meio – explicou bem os motivos contra-distintivos face aos demais. Vejamo-los:

  1. A defesa da vida é incondicional desde a conceção à morte; não há descarte, como suplica SS o Papa Francisco.

  2. Se é a favor do enquadramento firme dos criminosos – estando ao lado das vítimas –, não se aplicam penas de morte mitigadas nem violação do corpo, estando em linha com a Doutrina Social da Igreja.

  3. É livre na economia, mas com ordem. O ordoliberalismo distingue-se do ultraliberalismo radical, porque põe a pessoa no centro da atividade e não os mercados. O Estado, tem – por isso – um papel: de regular e de proteger quem está em situações de particular vulnerabilidade, para que possam ter apoios sociais e retribuam as ajudas, subindo na vida e realizando-se.

  4. Defende a família como célula primeira da sociedade. Não há política sem famílias e a primeira deve estar ao serviço destas: aos mais jovens, no abono, nos arrendamentos e na compra de habitação, alturas cruciais de afirmação; na redução do esbulho fiscal, a quem contribui para o bem comum com filhos; e aos mais idosos, com o cheque farmácia e o apoio ao aquecimento das casas no inverno.

  5. Subsidiário, apresentando o reforço das competências e meios para as autarquias e acabando com a oligarquia da TAP que só serve Lisboa retirando dois terços das receitas produzidas pelas empresas de todo o país num ano.

  6. Na resposta pública em serviços fundamentais como a educação e a saúde, quer por mote próprio quer por acordo com os serviços privados, sociais e/ou concordatários. No plano via verde para a saúde, ninguém fica sem tratamento: ou o faz em tempo útil no SNS ou nas diferentes respostas instaladas no país.

Rio, que acabará por ganhar as eleições, terá de formar governo. Resta saber se com forças moderadas, históricas e humanistas, ou se aninhado ao radicalismo (i)liberal. É você que decide, já no dia 30 de janeiro.

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