• Orlando Coutinho

Homem Irracional



Como habitualmente, os serões de domingo passam-se no Cineclube de Guimarães.

Nada como a sétima arte para nos transpor a mente num estado de reconciliação com a semana que passou, bem assim como, preparar-nos para a nova que está ali à porta.

Esta incomparável associação vimaranense fundada por Santos Simões é um ícone incontornável da cultura vimaranense. Nem sempre compreendida, vista por alguns como um conforto para as elites centrais, o Cineclube é muito, mas muito, mais que isso. É a verdadeira cultura feita por amadores – em todos os sentidos - e apaixonados pela arte que os Lumière nos deixaram.

O critério editorial das escolhas cinematográficas nem sempre foi pacífico. Mas de há uns bons anos, a esta parte, o ecletismo com que se pensa a programação, tem atraído novos públicos. Vê-se muitos jovens num “casamento” multigeracional que reconforta pensamentos e enche a alma de quem – no final de cada sessão – vê a sua vida com mais sentido. A cultura é assim, um espaço humano que nos reflete em espelhos policadentes nas diferentes faces e fases pelas quais vamos passando. E esta associação constitui-se como um espaço de auto-descoberta que deve ser premiada com o ingresso de cada um de nós.

Este intróito a propósito de mais um excelente filme de Woody Allen que passou neste domingo em Vila Flor. Desta feita, “Homem Irracional”. Deixo só a nota introdutória para “aguçar o apetite”: <<O professor de Filosofia Abe Lucas sente-se infeliz, deprimido e sem motivação seja para o que for. Ao mudar-se para uma nova cidade, onde vai integrar o Departamento de Filosofia da Universidade de Braylin, acaba por se ver emocionalmente envolvido com duas mulheres muito diferentes: Rita Richards, uma professora solitária que apenas deseja libertar-se da infelicidade do seu próprio casamento; e Jill Pollard, uma aluna muito inteligente que se sente atraída pela sua aura de sabedoria e desespero algo existencialista. Mas a vida de Abe muda de rumo quando, numa ida a um restaurante com Jill, ouve a conversa de uma desconhecida sobre uma decisão do juiz Spangler. Esse acontecimento, apesar de não ter impacto directo na sua vida, vai alterar de forma drástica o modo como se vê a si mesmo, dando- lhe um novo propósito de existência>>.

Woody Allen ficará para sempre eternizado na sétima arte, embora a idade o tenha "amolecido" como constatarão depois de verem esta recomendável fita - bem a propósito para uma noite de domingo.

Bem Vistas as Coisas Woody Allen está mais inteligente e subtil do que nunca... Mas a ficar, também, mais “justo” ! A idade às vezes amolece-nos; para o bem, ou para o mal.


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Criado por Orlando Coutinho @ 2015.  

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