• Orlando Coutinho

Churchill


No passado dia 31/07 passou mais um ano sobre a efeméride da vitória democrática dos Nazis nas eleições alemãs que trouxe as consequências conhecidas.

Um dos grandes resistentes à escalada eugénica desta ideologia foi Winston Churchill.

Muitas são as “estórias” que se contam sobre este grande Estadista.

Resolvi ver uma película sobre um ângulo de como o olharam.

E não me foi indiferente o facto de ser Jonathan Teplitzky o realizador. Este “director” que uns apontam como mais talhado para a TV, é, a meu ver, de facto, pela sua impressividade – demonstrada como exemplo anterior que mais me marcou no The Railaway Man: uma longa viagem - um narrador penetrante.

Os argumentos de Alex von Tunzelmann também trazem, ao olhar histórico, um fascínio próprio aos moldes britânicos do que peculiarmente José Hermano Saraiva fazia por cá noutros tempos.

O filme conta-nos os dias, vividos pelos decisores aliados centrados no Reino Unido, que precederam o designado Dia D.

Churchill, como um bom “velho” conservador, mostrou-se muito renitente ao Desembarque na Normandia. Avisado pela História que, na I Guerra Mundial, nomeadamente na Campanha de Gallipoli impôs uma pesada derrota ao Império Britânico, o Primeiro-Ministro, questionava tudo e todos. Contrapunha os comandantes da Operação, sobretudo o General Eisenhower protagonizado por John Slattery. Temia um categórico desastre na costa francesa, com a perda incomensurável de vidas dos seus jovens compatriotas a servir no exército, que conduziria à capitulação das democracias ocidentais ante Hitler. As imagens aqui tornam-se eloquentes num mar vermelho reminiscente das inolvidáveis vivências nefastas do passado, quando Churchill vagueia pela areia.


Churchill, superiormente interpretado por Brian Cox, foi posto de parte numa decisão em que o poder militar se demonstrava determinado e em que a sua autoridade se afigurava como via única. Desautorizado, refugiado na bebida, tem nas mulheres mais próximas, Clementine, firmemente representada por Miranda Richardson, sua companheira, e também em, Ella Purnell na pele da sua jovem secretária, um chamamento sobre aquele que é de facto o seu papel enquanto Homem de Estado: o guia de esperança para todo um povo.

Um filme, a ver, que retrata uma “áurea” bem diferente – mas que vale a pena questionar - do “mito” que alicerçamos numa das figuras centrais da história do século passado. A sua imagem não deixará de ser o que é. Pode até sair reforçada pela humanização – fraquezas e forças – que o personagem desta trama transporta.

Bem Vistas as Coisas, esta película – a não perder - traz-nos o Homem por detrás do Estadista e a importância que os mais próximos têm nas decisões que interessam a todos.


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Criado por Orlando Coutinho @ 2015.  

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