• Orlando Coutinho

As Rosas de Atacama


A edição cá de casa é a quinta, saída em abril de 2003 e Luís Sepúlveda não surpreende…

Olhar penetrante, analítico e profuso, discorre sobre sítios, pessoas e acasos dos lugares por onde passa.

Não se desligando da sua história pessoal, Sepúlveda compendia, nesta obra, relatos que nos fazem viajar com ele às profundezas culturais, geográficas e naturais.

Embrenha-se numa escrita ativista que não deixa para trás as causas – ambientalistas, por exemplo – em que acredita e que “As Baleias do Mediterrâneo” tão bem expressa, por vezes, com um humor cínico << Existem dois frutos do engenho humano que me aborrecem particularmente: a moto-serra e o motor fora de borda.>>

O artista, por detrás da “Estrela”, que retrata em “Cavatori”, coloca-o, em definitivo, como porta-voz dos fazedores esquecidos a quem (quase) tudo devemos.

“Um homem chamado Vidal” é a sinédoque perfeita do anónimo que faz da luta a sua vida e que nela encontra, por si só, a realização de pequenas grandes vitórias.

O título da obra, extraído de uma crónica com o mesmo nome, fala de Fredy Taberna, que no fundo a ele o personifica, já que o personagem <<… tinha um caderno com capas de cartolina onde anotava conscienciosamente as maravilhas do mundo, e elas eram mais de sete…>>

Escusado será dizer que é uma boa leitura de estio acompanhada pela sonância marítima.

Bem Vistas as Coisas, “As Rosas de Atacama” reúne a cartografia de um quotidiano humano em diferentes hemisférios.

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Criado por Orlando Coutinho @ 2015.  

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