• Orlando Coutinho

O Desespero Humano

Atualizado: Ago 1


O verão é sempre uma boa época para pôr leituras em dia, ou – igualmente – recordar aquelas que deixaram história em nós.


Kierkegaard é um dos casos que, quem o lê, acaba por ficar e nos leva a explorar mais sobre a condição humana e – para quem sente necessidade de explorar essa via – a ligação ao divino.

No livro que titula, também, este artigo, o autor diz-nos, logo no começo, página 9 «Ousarmos ser nós próprios, ousar-se ser um indivíduo, não um qualquer, mas este que somos, só face a Deus, isolado na imensidade do seu esforço e da sua responsabilidade: eis o heroísmo cristão, e confesse-se a sua provável raridade».

A importância que damos à interioridade em contraponto com a materialidade terrena era – no seu tempo de vida (…) – tal como hoje uma dialogicidade relevante de ser tida, tal como a convocação contida na página39 «Porque o século, como é costume dizer-se, não se compõe afinal senão de pessoas desta espécie, isto é, devotadas às coisas do mundo, sabendo usar os seus talentos, acumulando dinheiro, hábeis em prever, etc., o seu nome talvez passe à história, mas terão sido na verdade eles próprios? Não, porque espiritualmente não tiveram eu, um eu pelo qual tudo arriscassem, porque estão absolutamente sem eu perante Deus... por muito egoístas que de resto sejam».

De facto, quem faz da sua vida uma unidade de missão salvífica tem, necessariamente, um árduo e ambicioso caminho pela frente bem sintetizado na página 99 «O crente, cuja vida inteira repousa sobre o encadeamento do bem, tem um receio infinito mesmo do menor pecado, visto arriscar-se a perder infinitamente, ao passo que os homens do espontâneo, que não saem do pueril, não têm totalidade a perder, as perdas e ganhos nunca são para eles mais do que parcialidade, particularidade».

Este livro a que a Levoir deu luz em 2017 numa parceria com o Jornal Público e que se encontra numa dessas livrarias espalhadas pelo recanto português, invita a uma reflexão sobre o nós e que caminho realmente queremos percorrer nesta passagem.

Bem Vistas as Coisas, a via espiritual é um caminho escarpado entre desespero humano

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