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  • Foto do escritorOrlando Coutinho

Conservadorismo


Para quem quer uma definição estanque de conservadorismo terá uma deceção ao ler este magnífico livro de João Pereira Coutinho até porque, logo na página 15, o autor coloca-nos - ao avesso de um bom conservador - na montanha russa, ao afirmar que «O conservadorismo não existe»! Claro que esclarece a polissemia do termo, com “conservadorismos”, ou seja, as várias modalidades interpretativas deste caldo ideológico.

Na verdade, continuo a resumir o conservadorismo com uma ideia antiga de Oakeshott e que também vem mencionada na obra, a saber «Ser conservador, então, é preferir o familiar ao desconhecido, é preferir o tentado ao não tentado, o facto ao mistério, o actual ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o conveniente ao perfeito, o riso presente à felicidade utópica» ou, como popularmente se diz, “não trocar o certo, pelo incerto”.

De facto, a escrita deste autor é cativante e o ensaio é verdadeiramente estimulante para quem quer ficar com uma ideia global dos pensamentos conservadores.

Passando pelas especificidades humanas que levam o Homem a ser conservador, ou a ter graus de conservadorismo, ou melhor ainda como ele diz «todos somos conservadores», o autor percorre – numa hermenêutica bem conseguida - um conjunto de filósofos e cientistas políticos que acabam por densificar o essencial desta ideologia que a todo o tempo deve ser revisitada.

Em síntese, a estabilidade, a previsibilidade e a confiança, são três ingredientes indispensáveis ao verdadeiro conservadorismo.

Vale mesmo a pena a leitura.

Bem Vistas as Coisas, o conservadorismo é uma ideologia, como diria Samuel Huntington, “não ideacional”.

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